sábado, 19 de fevereiro de 2011

Eu, caçador...

Como a loba, La Qué Sabé, que Clarissa Pinkola Estés relata em Mulheres que correm com lobos, saio à caça. A caça a que me refiro consiste em algo que não só uma busca, uma procura, mas algo preenchido de qualidades de sede, de fome, necessidades orgânicas. Sentidos aguçados, sozinha, autônoma, parto. Aberta para me surpreender, para a descoberta. Ansiosa por ela.
Cansada dos meus caminhos fáceis, atalhos, lugares comuns, de "paixões que nunca tiveram fim", sugada por tantas vias públicas, paulistas, primícias, parto em busca de mim. De algo que não está lá, "que em mim um troço qualquer morreu"...
Um tanto quanto cansada das efemeridades que rodeiam minha vida, minha arte, meu teatro, quero renascimento! Quero outro ponto de vista, quero todos os viewpoints, quero ouvir uma boa história, quero conceber e concretizar, escolho e vou!

No workshop do Ivaldo Bertazzo que participei ontem, sexta-feira no sesc belenzinho, ouvi, se não me engano pela primeira vez, o termo cultura de corpo. Algo que me despertou o interesse, me fez refletir, pois era muito contundente. E onde caberia então uma cultura de imaginário? E o que fazer da cultura de sonhos? Ela pode existir? Já existe? Onde?
São tantas correntes, tantas redes... O leque é abrangente, infindo e isso me deixa feliz e perdida.
O que fazer? Por qual o caminho? Onde me encaixo melhor? Qual pode ser meu papel nisso? Alguém me dê um script, por favor!!!
Onde posso ir longe e onde me abster? Qual o mistério? Onde fica o silêncio nisso tudo?...


Havia um passarinho, preso numa gaiola. Um dia, o vento bateu, ela caiu no chão e quebrou. O pássaro voou, alcançou a liberdade da qual um dia o haviam afastado. Mas, desacostumado com a natureza selvagem, solto na vastidão do céu e do ar do mundo, sentiu-se só, sentiu saudades da gaiola. O alívio momentâneo do pássaro passou, a dor e a solidão tomaram conta dele, ao mesmo tempo em que ele revisitava seus lugares preferidos, de infancia, suas memórias... Conhecidos, parentes, amigos e irmãos, relembrou que tinha todos eles.
De vez em quando ele ainda canta, chora, ri e dança. E de vez em quando fica só, com seus muitos, com poucos, ninguém e tudo. Com Deus, com a terra...

Ele sabe que está melhor assim e nunca mais voltaria para a gaiola, nunca mais prisão. Mas precisava refazer alguns percurssos e se lançar viagens a dentro, vôos novos e desconhecidos, para no fim, encontrar quem sabe, ele mesmo.

Encontrar Me Encontrar Eu Caçador de Mim

5 comentários:

  1. Muito boa essa viagem prá dentro!
    E ainda sobre o tema (caça, viagem, procura) leia também o Lugar Nenhum do Neil Gaiman.

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  2. Shee.. To tão feliz com seu novo projeto. Espero que dê tudo certo.. Que você cresça e evolua cada dia mais, se tornando ainda mais maravilhosa. Torço muito por você. E me espere aí dia 27.
    ps: cuidado com o barba azul. Ele sempre nos engana..
    hauaaua

    beijão

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  3. Aii irmazinha, que lindo!
    É muito doido como as coisas funcionam, porque a gente sempre acha que tá tudo sob controle, estabilizado.. e quando a gente encontra caminhos não planejados e vê tudo aberto de novo, pra recomeçarmos nossos projetos, ficamos confusos, perdidos, com medo, e ao mesmo tempo felizes pela liberdade...
    Vá em frente, viva tudo o que vc puder viver.. Mas não vá, com desejo de encontrar todas as repostas para os nossos questionamentos.. acho que as respostas nunca ficam prontas para lermos de forma literal, simples, clara.. A simplicidade tem que estar é nos nossos pensamentos e decisões, pq de resto, Deus ajuda a gente a dar um jeito.
    Te amo, e já estou vendo que vou ficar com muita saudade.. ;/
    Bjs,
    Paty.

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  4. eu ia indicar o livro do Neil gaiman, mas a carlinha já fez isso...
    eita sincronia de pensamentos...

    boa sorte nesta tua jornada, lobinha...


    bjs
    Igor

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  5. Sheila! Boa sorte na sua busca. Espero que essa viagem traga mtas coisas boas pra você :)
    Bjos

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